A educação está em permanente transformação. Novas tecnologias, mudanças sociais e diferentes necessidades dos estudantes fazem com que escolas e educadores precisem repensar continuamente suas práticas. Foi com esse olhar que a ATEP Estação Criança participou do Congresso Gestão que Inspira – Finlândia e Brasil, evento que reuniu profissionais e referências nacionais e internacionais para discutir os caminhos da educação contemporânea.
Ao longo de três dias, a programação trouxe especialistas de diferentes áreas, pesquisadores, gestores e profissionais que atuam diretamente na construção de novas perspectivas para a educação. Entre os participantes estiveram nomes de destaque, como Pasi Sahlberg, Perttu Pölönen, Peter Vesterbacka, Ademar Celedônio, Margaret de Oliveira Guimarães, Ester Carro e outros profissionais que contribuíram para ampliar as discussões sobre aprendizagem, gestão, tecnologia, inovação e desenvolvimento humano.
Para a equipe da ATEP, a participação no congresso também representou uma oportunidade de observar como conceitos que já fazem parte da proposta pedagógica da escola estão conectados a discussões internacionais sobre o futuro da educação.
Um congresso sobre os desafios da educação contemporânea
O primeiro dia do congresso foi marcado pela participação de Pasi Sahlberg, educador, pesquisador e referência internacional em políticas educacionais, liderança escolar e equidade na educação. A programação também contou com a participação de Margaret de Oliveira Guimarães, cofundadora e diretora do Colégio Liceu Albert Sabin, e de Ayla Huovi, especialista em educação finlandesa e consultora educacional responsável pela organização do congresso.
A presença de Ayla teve ainda um significado especial para a ATEP. Foi ela quem acompanhou a imersão da diretora Edilene Guedes na Finlândia, experiência que contribuiu para aproximar ainda mais a escola de práticas e conceitos relacionados à educação finlandesa.
O segundo dia ampliou as discussões para temas diretamente relacionados ao futuro da educação. Ademar Celedônio, diretor de Tecnologia e Inovação do Grupo Arco, apresentou reflexões fundamentadas em dados e pesquisas sobre qualidade educacional. Na sequência, Perttu Pölönen trouxe discussões sobre futuro do trabalho, tecnologia e as habilidades humanas que serão cada vez mais necessárias para as novas gerações.
O dia foi encerrado com Peter Vesterbacka, conhecido internacionalmente por sua atuação à frente da franquia Angry Birds e por seus projetos relacionados à inovação e à transformação social. As discussões reforçaram uma questão central para a educação atual: preparar estudantes para um futuro que ainda está sendo construído.
No terceiro e último dia, os temas passaram pela gestão escolar, responsabilidade social e educação financeira. Adriana Hilsdorf abordou desafios relacionados à gestão e à governança no ambiente educacional. Ester Carro, arquiteta e urbanista social, apresentou reflexões sobre sustentabilidade, impacto social e cidadania. Encerrando a programação, Bruno Paolinelli trouxe conhecimentos relacionados ao mundo das finanças e à educação financeira.
Os atritos também fazem parte do desenvolvimento
Entre os conteúdos que mais chamaram a atenção da psicóloga escolar da ATEP, Andreia Assunção, esteve uma reflexão sobre o papel dos atritos no desenvolvimento dos estudantes.
A ideia apresentada durante o congresso é que diferentes tipos de atritos fazem parte da experiência escolar: cognitivos, socioemocionais, pedagógicos e morais. Em vez de compreender essas situações apenas como problemas a serem eliminados, é possível enxergá-las como oportunidades para que crianças e adolescentes desenvolvam habilidades para lidar com divergências, frustrações, desafios e diferentes pontos de vista.
“O que mais me marcou foi a importância dos atritos na escola: o atrito cognitivo, socioemocional, pedagógico e moral. Quem faz a mediação e auxilia no desenvolvimento das habilidades para lidar com esses atritos é a escola”, destacou Andreia.
Essa perspectiva dialoga diretamente com práticas já desenvolvidas pela ATEP. A escola conta com um protocolo antibullying e trabalha o desenvolvimento de habilidades socioemocionais como parte de sua proposta de formação integral.
O objetivo não é criar um ambiente sem conflitos, mas oferecer aos estudantes ferramentas para compreender essas situações, desenvolver estratégias de resolução e aprender a conviver com as diferenças. Dessa forma, a escola também exerce seu papel de espaço de formação para a vida.
Inteligência Artificial: tecnologia com humanidade
A Inteligência Artificial também esteve entre os temas discutidos durante o congresso. As discussões apontaram para uma questão central: como utilizar essas ferramentas sem perder de vista aquilo que é essencialmente humano?
Nesse cenário, uma das habilidades fundamentais para os estudantes será aprender a fazer boas perguntas. Utilizar uma ferramenta de Inteligência Artificial não significa simplesmente solicitar respostas prontas, mas saber formular questões, analisar informações, verificar conteúdos, comparar perspectivas e utilizar a tecnologia de maneira crítica e responsável.
A escola, portanto, continua tendo um papel essencial. Em um cenário em que o acesso à informação se torna cada vez mais fácil, ganha importância a capacidade de interpretar, questionar, criar e tomar decisões.
Essa visão se aproxima da proposta da ATEP de desenvolver estudantes que não sejam apenas capazes de acumular informações, mas que saibam utilizar conhecimentos e habilidades diante de situações reais.
Habilidades humanas no centro da educação
Para a diretora Edilene Guedes, uma das principais reflexões proporcionadas pelo congresso está relacionada à própria forma como uma instituição compreende as pessoas que fazem parte dela. “Sabemos que uma instituição está no caminho certo quando há um olhar para as habilidades humanas e emocionais daqueles que ali ensinam,” disse ela.
Edilene também destacou a importância do sentimento de pertencimento e da coletividade. Quando professores, colaboradores e estudantes entendem que participam da construção daquele ambiente, a escola deixa de ser apenas um espaço físico onde as aulas acontecem e passa a ser uma comunidade. “Quando existe um senso de pertencimento e coletividade, as pessoas que ali atuam sabem que a sua participação na construção desse ambiente é fundamental.”
Esse olhar também se relaciona ao bem-estar. Entre as características observadas na educação finlandesa está uma forte conexão com a natureza e a preocupação com a forma como as pessoas vivenciam os ambientes em que estão inseridas.
Curiosidade, criatividade e autonomia para o futuro
As discussões do congresso também reforçaram a importância de desenvolver, desde a infância, habilidades que serão fundamentais ao longo da vida.
Curiosidade, criatividade, coragem, pertencimento e capacidade de lidar com mudanças estão entre essas competências. Em um mundo em constante transformação, não basta preparar uma criança apenas para responder às perguntas que já existem. É preciso ajudá-la a desenvolver a autonomia para fazer perguntas, buscar soluções e lidar com situações novas.
A autonomia, nesse contexto, não surge automaticamente quando o estudante chega à adolescência ou à vida adulta. Ela é construída progressivamente, por meio de experiências adequadas a cada faixa etária.
Isso significa permitir que as crianças assumam pequenas responsabilidades, participem de decisões, encontrem soluções para problemas cotidianos e percebam que são capazes de realizar determinadas tarefas por conta própria.
Esse processo contribui para a construção da confiança em suas próprias capacidades e para o desenvolvimento de uma postura mais ativa diante dos desafios.
O que a experiência da Finlândia reforça na proposta da ATEP?
Para a equipe da ATEP, um dos aspectos mais significativos da participação no congresso foi perceber que muitas das práticas discutidas como tendências para o futuro já fazem parte do cotidiano da escola.
O desenvolvimento das habilidades socioemocionais, o trabalho com autonomia, a preocupação com o pertencimento, a colaboração, a criatividade, a comunicação e a formação integral estão presentes na proposta pedagógica da instituição.
“Aqui na ATEP isso já é realidade. Já fazemos isso há muitos anos porque, inspirados no trabalho com habilidades e competências alinhados ao que há de melhor no mundo, verificamos isso no último congresso do qual estivemos participando: Gestão que Inspira – Finlândia e Brasil”, afirmou Edilene.
A participação no evento, portanto, não representa apenas a busca por novas ideias. Também é uma oportunidade de revisitar práticas, confrontá-las com diferentes experiências e identificar caminhos para continuar aprimorando o trabalho realizado pela escola.
Aprender para transformar a educação
Participar de um congresso voltado à educação finlandesa e brasileira também significa reconhecer que nenhuma proposta educacional está pronta ou acabada. A educação precisa acompanhar as transformações da sociedade, incorporar novos conhecimentos e, ao mesmo tempo, preservar aquilo que permanece essencial: as relações humanas.
Ao longo dos três dias, a equipe da ATEP teve contato com diferentes perspectivas sobre gestão, tecnologia, aprendizagem, habilidades humanas, sustentabilidade, inovação, responsabilidade social e educação financeira.
A experiência reforçou uma convicção: formar estudantes preparados para o futuro significa oferecer oportunidades para que eles desenvolvam conhecimentos, mas também autonomia, criatividade, colaboração, empatia, comunicação e capacidade de lidar com mudanças.
É essa visão que orienta a proposta da ATEP Estação Criança: uma educação que olha para o estudante em sua integralidade e entende que aprender também significa descobrir quem se é, compreender o outro, assumir responsabilidades e desenvolver ferramentas para participar do mundo.
Na ATEP, o compromisso com a formação integral acompanha o estudante ao longo de sua trajetória. Porque ser integral não é uma etapa da educação: é uma preparação para a vida.
